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1975-1990 Imprimir E-mail

1975-1990

 

 

O secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, cumprimenta o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos

NEGOCIAÇÕES POLÍTICAS 

INFRUTÍFERAS 

MARCARAM O PERÍODO

.......Uma série de negociações políticas infrutíferas e grandes acções militares marcaram os principais acontecimentos registados no período 1975/ 1990 da história de Angola. Eis a cronologia dos principais acontecimentos:

.......A 03 de janeiro de 1975, delegações do MPLA e Unita reúnem-se em Mombaça, Quénia, para concertar uma plataforma comum de negociação com o governo português para a formação do governo de transição que conduziria Angola à independência.

.......Doze dias depois, os três movimentos de libertação de Angola (MPLA, FNLA e Unita) assinam os acordos de Alvor, Portugal, sob a égide do governo português, no qual se propõem a repartir as responsabilidades da governação do país.

.......Porém, a 20 de setembro do mesmo ano, soldados do Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA) e o Sétimo Batalhão de Infantaria do Exército zairense iniciam uma ofensiva para tomar Luanda.

.......A 14 de outubro, o governo dos EUA, com vista a liquidar o movimento revolucionário em Angola, lança o exército sul-africano contra Angola, aproveitando-se que os racistas sul-africanos ocupavam ilegalmente a Namíbia.

.......Nove dias mais tarde, as tropas sul-africanas lançam a operação "Savannah" contra o território angolano para auxiliar os guerrilheiros da Unita e impedir a tomada do poder pelo MPLA.

.......Entretanto, as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (Fapla), com a ajuda de instrutores cubanos, impedem a progressão de mercenários de diversas nacionalidades ao lado do Exército de Libertação Nacional de Angola (ELNA), na região de Kifangondo.

.......No dia 26 do mesmo mês, as forças sul-africanas, integradas por uma brigada mecanizada e por mercenários do "ELP" que penetraram no território angolano em duas colunas através de Ngiva e Ruacana, ocupam a cidade do Lubango, província da Huíla.

.......A 10 de novembro, na véspera da independência nacional, as Fapla, com a ajuda de instrutores cubanos, esmagam uma grande ofensiva de forças da Fnla e mercenários equipados com canhões sul-africanos de 140 mm e zairenses de 130 mm, na região de Kifangondo.

.......Apesar deste acto, no dia seguinte, o MPLA, sob liderança de António Agostinho Neto, proclama perante a África e o mundo, a independência de Angola.

.......No ano de 1976 e cinco meses depois de iniciada, o fracasso da operação "Savannah" contra o território da Republica Popular de Angola se materializou com a retirada do último soldado sul-africano, e três dias mais tarde, os representantes de Angola, Cuba e África do Sul assinam no Ruacana, Cunene, uma acta sobre as conversações em tomo da fronteira com a Namíbia.

.......A 22 de abril, os governos de Angola e Cuba definem, um mês depois das tropas invasoras sul-africanas se terem retirado de Angola, um programa de redução paulatina das forças internacionalistas.

.......A 18 de outubro de 1988, os chefes de Estado de Angola, José Eduardo dos Santos, do Gabão, Ornar Bongo, e do Congo, Sassou Nguesso, reúnem-se pela primeira vez em Franceville (Gabão).

.......Os negociadores do processo de paz anunciam, a 15 de novembro, terem chegado a um acordo sobre o calendário da retirada das tropas cubanas, abrindo caminho para a implementação da Resolução 435 da ONU sobre a independência da Nami'bia.

.......A 27 de abril, os presidentes do Zaire, Congo e Gabão, respectivamente, Mobutu Sesse Seko, Sassou Nguesso e Ornar Bongo, reunidos em Kinshasa, traçam a forma mais apropriada de ajudar Angola a encontrar a paz e a unidade nacional, tendo sugerido a realização, em Luanda, de uma cimeira regional.

.......Foi a 16 de maio que se realizou, na capital angolana, a Cimeira dos "oito" chefes de Estado de África Austral e Central, nomeadamente do Gabão, São- Tomé e Príncipe, Moçambique, Zâmbia, Zimbabwe, Congo e Zaire, sobre o processo de paz angolano, durante a qual Angola apresenta aos estadistas presentes um plano para o alcance da paz.

.......O presidente zairense, Mobutu Sesse Seko, confirma, a 8 de junho, ao seu homólogo angolano, José Eduardo dos Santos, que o líder da Unita tinha aceite o plano de paz do governo angolano.

.......O presidente José Eduardo dos Santos anuncia, durante uma reunião com os embaixadores angolanos, realizada no dia 21 de junho em Luanda, que o plano de paz do governo prevê o afastamento voluntário e temporário de Jonas Savimbi.

.......Esclarece, entretanto, que este afastamento insere-se no quadro do tratamento especial a dar ao caso do líder da Unita, e a integração dos demais membros da Unita na sociedade, segundo as suas capacidades individuais.

.......No dia 22 de junho, um aperto de mão entre o presidente José Eduardo dos Santos e o líder da Unita, Jonas Savimbi, na presença de 18 estadistas africanos, sela os acordos de Gabdolite (Zaire), entre o governo angolano e a Unita. Cinco dias depois, o governo angolano denuncia a violação do mesmo pela Unita.

.......No mesmo dia, Jonas Savimbi desmente ter aceite o seu afastamento da cena política para facilitar o processo de paz, e afirma ser essa uma mentira do marechal zairense, Mobutu Sesse Seko.

.......A 3 de julho, os chefes de Estado do Congo, Gabão e Angola, nomeadamente, Denis Ssasou Nguesso, Ornar Bongo e José Eduardo dos Santos analisam, durante uma reunião, em Ponta-Negra, o processo de reconciliação nacional, depois do fracasso de Gabdolite.

.......Dezesseis dias depois, delegações do governo e da Unita, sob mediação zairense, reúnem-se em Nseles, (república do Zaire), na sua primeira ronda negocial, e voltam a fazé-lo a 07 de agosto.

.......A 11 de agosto, o chefe de Estado angolano reúne-se, na mesma região, com o seu homólogo zairense, a quem encoraja a prosseguir os esforços de mediação no controverso processo de paz para Angola.

.......Ainda nesse mês, realizou-se no Congo, um encontro tripartido de concertação entre os presidentes de Angola, Congo e Zaire, antes da segunda Cimeira dos "oito", depois de Gabdolite.

.......No dia 22 de agosto, em Harare (Zimbabwe), os "oito" chefes de Estado reiteram o acordo de Gabdolite. Na cimeira, Mobutu fez circular uma proposta da Unita, na qual negava os pressupostos de Gabdolite, referentes ao cessar-fogo imediato e ao início de discussões políticas paralelas.

.......Depois do encontro, concretizam-se o impasse e a crise do acordo de Gabdolite, cujo fracasso se atribui a Mobutu.o ano de 1990 destacou -se devido à mudança de mediador do conflito, pois que, a 6 de abril, em face da ineficácia do acordo de Gabdolite, José Eduardo dos Santos prescinde da mediação zairense e opta pela portuguesa.

.......Doze dias mais tarde, Afonso Van-Dúnem "Mbinda" e Durão Barroso, ministro das Relações Exteriores de Angola e secretário de Estado da cooperação de Portugal, lançam as bases para Portugal mediar as conversações de paz, durante um encontro realizado em Lisboa.

.......Cinco dias depois deste encontro, delegações do governo e da Unita encontram-se pela primeira vez, sob mediação portuguesa, em Évora.

.......A 16 de junho, realiza-se a segunda ronda de conversações no Forte de São Julião da Barra, em Oleira. A reunião foi interrompida por decisão unilateral da Unita, que alegou ter sido chamada pela sua direcção para "consultas" na Jamba, seu quartel-general.

.......Aparentemente, estava em causa o problema da capacidade negocial dos enviados da Unita. A constituição do exército único e a fiscalização eram os temas em debate.

.......No dia 19, o secretário de Estado português da Cooperação e medianeiro do processo de paz para Angola, Durão Barroso, faz o balanço do encontro à imprensa e anuncia a ronda negocial seguinte para julho.

.......No primeiro dia do mês de agosto, Durão Barroso recebe, em audiências separadas, em Lisboa, o chefe da delegação da Unita e o viceministro angolano das relações exteriores, Venando de Moura.

.......Oito dias depois, na cidade de São Tomé, o primeiro-ministro português, Aníbal Cavaco Silva, anuncia um novo encontro entre o governo angolano e a Uni ta, e apela as duas partes a darem provas de flexibilidade para que se encontre a paz mais rapidamente.

.....A 15 de agosto, em Luanda, o governo angolano responsabiliza a

.......Unita pelo adiamento da nova ronda negocial, prevista para 21 de agosto.

.......No dia 27 de agosto realiza-se, finalmente, no Instituto de Altos Estudos Militares, nos arredores de Lisboa, a terceira ronda. As divergências entre as partes subsistem e a reunião termina sem resultados.

.......No entanto, Durão Barroso anuncia novo encontro para a segunda quinzena de setembro, e defende a participação futura de observadores norteamericanos e soviéticos.

 

 
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