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Natureza Imprimir E-mail

Florestas

 

 

 

       O território Angolano é recoberto a 43% por florestas ainda pouco explorado.

Árvores de espécies valiosas podem ser encontradas nas florestas do norte, inexploradas desde a independência.

 

       Perto de 150.000 hectares de eucalipto, ciprestes e plantações de pinho estão esperando a reabilitação.

 

       A vasta e densa rede hidrográfica facilita ainda mais o desenvolvimento natural deste sector, já que o transporte por flutuação ou em embarcação é praticável.

Em Lubango, um recanto bucólico e acolhedor

A 15 quilômetros de Lubango, capital da província de Huíla, um condomínio turístico está fazendo grande sucesso entre as pessoas que desejam passar alguns dias ou um fim de semana em total contato com a natureza, mas dispondo de uma infra-estrutura de alojamento com todo o conforto da vida urbana moderna. É o Complexo N. S. do Monte, encravado na Serra de Chela, a 2 mil metros de altitude.

Também conhecido como Muhonguera Lodge, o local é formado por dez pequenas casas, algumas com um quarto, outras com dois, todas com banheiro privativo, água quente, TV com antena parabólica, camas de casal ou solteiro. Para as refeições, um drink ou um suco de caju, típico da região, os hóspedes têm um restaurante com capacidade para receber até 50 pessoas e um bar. Outro serviço oferecido é uma loja de conveniências, que vende artesanato angolano, tecidos africanos, plantas medicinais e outros produtos.

                                 

 

Se todas as casas estiverem ocupadas, o visitante pode acampar. Há uma área de camping com espaço suficiente para 10 barracas, além de estacionamento de veículos. A tranqüilidade é garantida por um moderno sistema de segurança e o recanto proporciona aos hóspedes uma atmosfera bucólica e exótica, formada por inúmeros pássaros, cabras, galinhas e outros animais.

                 

Muhonguera é também uma excelente base para turistas que desejam conhecer a região, reconhecida como uma das mais belas do país. Ali pode-se alugar um carro e percorrer a serpenteante Estrada da Leba, com 15 quilômetros de curvas fechadas, a cascata de Huíla, a Fenda de Tundavala, com suas gigantescas rochas sobrepostas, as grutas de Tchivinguiro, a Fazenda Chimbolelo.

O passeio pode terminar no alto da Serra da Chela, onde fica a cidade de Humpata, também cheia de atrações, como o histórico Cemitério dos Boers, a barragem das Neves, o mirante e a Estação Zootécnica.

 

Mangais: turismo ecológico na Barra do Rio Kwanza

 

Um deslumbrante lugar com opções variadas de lazer em meio à natureza

Com sua exuberante natureza, milhares de espécies animais e vegetais, praias e rios, Angola possui nichos potenciais de turismo ecológico que começam a ser aproveitados.

 

 

O lugar mais promissor no médio prazo está localizado a apenas 50km de Luanda, na província de Bengo. É a Fazenda dos Mangais, ladeada pelo Rio Kwanza e por uma estrada que liga a capital angolana ao litoral sul do país. Nessa área com cerca de 500 hectares, rica em hábitats de diversas espécies animais, entre mangues e alagados, está sendo construído o mais arrojado projeto de eco-turismo do país, com toda a infra-estrutura para os mais exigentes visitantes.

 

 

E numa localização privilegiada: nas proximidades ficam o Parque Nacional Kissama, a praia do Cabo Ledo, Miradouro da Lua e a Barra do Kwanza. Temperaturas anuais médias de 24,4ºC, com máxima de 27,5ºC em março e mínima de 20,2ºC em julho.

 

 

O projeto une as recreações e o relaxamento de um clube campestre com as emoções de um parque aquático natural. As obras estão a cargo da empresa portuguesa Mangais Eco-turismo.

Haverá passeios guiados na Floresta dos Mangais, ao longo do rio, visitas a sítios e aldeias típicas próximos, observação de pássaros (ornitólogos fazem isso de binóculos na alvorada, quando todos cantam juntos). Em matéria de fauna, aliás, há muito o que ver além das milhares de aves – uma grande variedade de invertebrados, peixes, anfíbios, répteis. Os passeios, sempre com guias, incluirão caminhadas pelas picadas abertas na misteriosa floresta, macacos de diferentes tipos e tamanhos, porco formigueiro, porco-espinho, hiena malhada, gatos selvagens. Muitas espécies que nunca foram estudadas. Quem preferir, pode percorrer trechos do Rio Kwanza de barco ao pôr do sol.

 

 

Rio Kwanza

À noite, depois de uma bela refeição típica num restaurante tradicional, pode-se fazer a digestão ouvindo o zumbido do vento nas copas das árvores e nas folhagens, os ruídos de animais. Ou então sair para aprender a conhecê-los. Guias especializados ensinam a identificar sons noturnos, como localizar morcegos usando detectores apropriados, a vida curiosa das rãs e das corujas. Mais intimidade com a natureza, impossível.

É claro que turismo em regiões de beleza natural pode ser uma atividade de alto risco para a fauna e a flora, com possibilidade de resultar até desastre ecológico. O acúmulo de lixo destrói o hábitat dos animais, e o simples gesto, muito comum, de arrancar uma flor ou uma planta, como souvenir, ou para decorar o apartamento, agride o ecossistema.

Por isso o surgimento de uma indústria de turismo ecológico em Angola está deixando a bicharada de orelha em pé, com medo da cobiça e da ignorância do bicho homem. No Brasil o mau exemplo mais evidente está na Amazônia, onde a caça é proibida, mas pratica-se, muitas casas e alguns hotéis têm onça de estimação, contrariando a legislação ambiental que proíbe manutenção de animais em cativeiro.

Mas a Mangais Eco-turismo está se prevenindo contra eventuais danos ao meio ambiente e garante que pretende fazer um aproveitamento racional, sustentado e equilibrado das potencialidades locais, salvaguardando a biodiversidade e conservando a natureza. Tanto que serão utilizados somente materiais naturais, técnicas artesanais.

Os passeios no rio serão em canoas tradicionais, sem motor. Qualquer turista ecológico de carteirinha sabe que o barulho do motor espanta os animais e as aves, forçando a migração.

As casas que serão construídas, para aluguel ou moradia, terão arquitetura rústica, harmonizada com a paisagem, e em número limitado, para evitar a pressão demográfica e urbanística sobre o meio ambiente.

Os proprietários das casas terão acesso gratuito a um campo de golfe e acesso preferencial a todos os demais serviços de lazer do clube – piscina, quadras de tênis e squash, campo de futebol, passeios a cavalo e de charrete e pesca desportiva.

Já houve, em fevereiro passado, o primeiro torneio de pesca desportiva, patrocinado pela Mangais, com a colaboração da Associação Internacional de Pesca Desportiva. Em dois dias de competição, para além de promover a pesca desportiva o evento visou a promover a preservação do peixe Prata, premiando os concorrentes que o libertassem após a captura.

As comunidades da região estão sendo alvo de uma campanha de conscientização, para acabar com o uso não sustentável da terra e dos recursos naturais. É preciso que a campanha seja permanente, para que os futuros turistas possam usufruir e preservar esse pedaço de paraíso. Os animais e a natureza agradecem.

 

 

Parques nacionais, espaços privilegiados da natureza

 

 

A fauna e a flora constituem um dos mais ricos patrimônios naturais de Angola, exuberante nicho de turismo ecológico que garante  momentos de lazer e tem importância científica, pelo potencial  genético existente nos parques e reservas florestais.

Há no país  um  total  de  37 áreas de valor turístico e ecológico, equivalentes a 188.650km², ou 15% do território nacional. Desse  total  13  são  áreas  de proteção ambiental: seis Parques  Nacionais,  um Parque  Natural Regional, duas Reservas Naturais integrais e quatro Reservas Parciais.

Os seis parques nacionais são:

– Parque Nacional de Quissama, na província de Bengo, estabelecido como Reserva de Caça em 1938 e elevado à condição de Parque Nacional em 1957.

Tem uma área de 9.600km² e sua fauna mais notável é composta de manati, palanca vermelha e tartaruga marinha.

Parque Nacional de Cangandala, na província de Malange. Estabelecido como Reserva Natural Integral em 1963 e Parque Nacional a partir de 1970.

Tem uma área de 600 km² e sua fauna inclui a famosa palanca preta gigante, espécie exclusiva de Angola.

Parque Nacional de Bicuar, na província de Huíla. Criada como Reserva de Caça em 1938, passou a Parque Nacional em 1964. Tem uma área de 7.900km² e na sua fauna o destaque é o búfalo negro.

Parque Nacional de Iona, na província de Namibe. Estabelecido como Parque Nacional de caça em 1937, tornou-se Parque Nacional em 1964. Tem uma área de 15.150km² onde a Zebra da Montanha é a estrela principal de sua fauna.

– Parque Nacional de Kameia, na província de Moxico. Em 1935 tornou-se reserva de caça, sendo elevado à condição de Parque Nacional em 1957. Sua área é de 14.450 km² e a fauna inclui girafas.

 

 

– Parque Nacional Regional Cimala-Vera, na província de Benguela. Foi estabelecido como Reserva Especial em 1971 e elevado à condição de Parque Nacional Regional em 1974. Tem uma área de 150km² e na sua fauna se destaca a cabra de leque.

Além da  fauna, existe nos parques nacionais uma flora de grande  importância para o equilíbrio do ecossistema e com valor medicinal. Mas a maior parte das áreas protegidas sofreu o impacto da guerra civil. Com  o advento da  paz, começou-se a refletir sobre a conveniênia de abri-las de imediato ao turismo ou dar prioridade a trabalhos de ordenamento, delimitação e recuperação das partes degradadas, ou ainda concluir o estatuto de áreas protegidas.

Começou a haver uma mobilização de setores preocupados com a preservação e defesa do meio ambiente, para se avaliar o estado dos parques e reservas, com a finalidade de se traçar um conjunto de atividades concretas, visando à recuperação das áreas degradadas e a uma exploração turística que respeite as leis da natureza.

 

 

 Assim surgiram as Jornadas Nacionais de Reflexão sobre os Parques e Reservas, que resultaram nos  Projetos  de Recuperação  e  Conservação  dos Parques Nacionais  de  Quissama,  Bicuar, Iona  e a Reserva  Parcial  de  Namibe, que tem 4.450km² de extensão e uma fauna que inlcui zebra, rinoceronte e avestruz. As outras três reservas florestais parciais são Luiana (8.400km²), Mavinga (5.950 km²) e Mucosso (com 25.000km²), todas na província de Kuando-Kubango.

Uma das prioridades do Ministério de Hotelaria e Turismo para este ano é recuperar estas três reservas. Recentemente o ministro Jorge Valentim visitou a província, para constatar os problemas existentes e estudar as soluções. Na opinião dele o ecoturismo em Kuando Kubango tem tudo para ser um dos maiores atrativos da África, a julgar pela dimensão da sua fauna e a extensão do território, segundo maior do país, com 199.000km².

A concessão de crédito bancário aos empresários locais que atuam no ramo do comércio, hotelaria e turismo está sendo negociada pelo ministério junto ao Banco de Poupança e Crédito (BPC). Jorge Valentim garantiu igualmente que haverá cursos profissionalizantes para a área de hotelaria e turismo, a fim de que haja funcionários capacitados a prestar adequadamente os serviços aos turistas.

Além das reservas florestais, outros locais turísticos na província de Kuando-Kubango são a Ilha de São Valentim, o Centro Turístico Dom Bosco, Makueba, Missombo e o forte Mueme-Vunongue, símbolo de resistência do povo Nganguela contra o colonialismo português.

A idéia por trás dos projetos de recuperação e conservação dos parques nacionais e reservas é equilibrar o lazer turístico e a proteção do meio ambiente, permitir que haja um  mínimo  de  impacto humano negativo e assim garantir o desenvolvimento do ecossistema. Deseja-se, por exemplo, que a infra-estrutura hoteleira e outros serviços de apoio ao turismo sejam construídos fora da área dos parques e reservas, na sua periferia. A  circulação de turistas dentro  dos  parques seguiria   rotas pré-determinadas,  com  acompanhamento de  guias,   para haver o mínimo de perturbação  do  meio-ambiente, impedindo-se o ingresso desordenado de pessoas, caçadores ou simplesmente moradores.

 

 

Além  dos  parques, existe um conjunto de espaços em  todas as províncias que,  pelo  seu  valor  estético,  constituem verdadeiros monumentos  naturais. Estão enquadrados nesta categoria  as  pedras  de  Pungo  Andongo, Alto Hama, Monte Belo, as cachoeiras de Kalandula, Talo Mungongo, Pedra do Ebo etc

Rinoceronte, zebra, girafa, palanca negra podem ser vistos nos seis parques nacionais de Angola

 

 

Agências fazem conferência internacional

 O ministro da Hotelaria e Turismo, Jorge Valentim, participou no Qatar da IV Conferência Internacional de Agências de Turismo, patrocinada pela Organização Mundial de Turismo (OMT). Foi a primeira vez que Angola esteve presente em um encontro internacional de turismo realizado no Oriente Médio.

Ministro da Hotelaria e Turismo, Jorge Valentim

 Na reunião, o ministro divulgou a imagem do país, fez um retrospecto da situação de guerra civil e a fase atual de reconciliação nacional e paz. Do Qatar o ministro Jorge Valentim seguiu para as Ilhas Seychelles, onde participou da 41ª reunião da Comissão da Organização Mundial do Turismo para a África. Neste encontro o tema discutido foi "A importância do turismo para acabar com a pobreza".

 

Turismo Sustentável

 

Os benefícios da atividade turística a nível mundial encontram-se repartidos de forma desigual: cerca de 49 países em desenvolvimento recebem menos de 1% do fluxo turístico do mundo e menos de 0,5% das receitas do turismo internacional.

A revelação foi feita durante a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento, realizada em Lisboa para discutir o Turismo Sustentável como fator de desenvolvimento.

O desequilíbrio do fluxo turístico é agravado porque os destinos turísticos dos países em desenvolvimento dependem de operadores estrangeiros, cuja competitividade é superior.

Participaram da conferência representantes de mais de 50 países membros da organização, os quais propuseram formas de aproveitamento cada vez maior do crescimento turístico, já que se trata de uma poderosa indústria, com um índice de expansão muito rápido, além de ser uma fonte de emprego e de receitas em constante progressão.

 

 

Ilha de Luanda ganha um complexo de lazer

Um dos pontos turísticos mais freqüentados na capital angolana, a Ilha de Luanda (estreita faixa de terra com belas praias), tem agora um complexo de lazer dos mais requintados. É o "Jango Veleiro", mistura de restaurante, bar e casa de shows, inaugurado em alto estilo, com a presença do vice-ministro da Hotelaria e Turismo, Paulino Baptista.

A proprietária do local, Ana Godinho, disse que o empreendimento surge para diversificar o lazer dos turistas e moradores da capital. O serviço tem qualidade garantida por profissionais formados em escolas de hotelaria.

Entre os vários atrativos do "Jango Veleiro", há música ao vivo, recital de poesia e até prática de pólo aquático na praia em frente. E isso é somente a primeira fase do empreendimento, conforme declarou Ana Godinho. Pretende-se também construir uma discoteca, um hotel e outros locais de lazer.

Com cerca de cem funcionários, o "Jango Veleiro" fica aberto 24 horas ao dia.

 

Empresários promovem turismo

 

A Associação dos Industriais de Angola (AIA) está lançando na província de Uíge uma campanha para identificar as prioridades do turismo na região. Segundo o representante da AIA na província, José Canjimba, foi a primeira vez que isso aconteceu.

O encontro reuniu entidades de vários setores da província e discutiu os aspectos turísticos que podem ser melhor explorados, como as duas viagens do navegador português Diogo Cão a Angola, no distrito do Congo em 1485, e os antecedentes da província desde 1892.

Participaram do encontro funcionários do ramo de hotelaria e turismo, empresários, estudantes de história e geografia, além de representantes de ONGs.

 

 

Parque de Kissama atrai turistas

 

 

Mesmo nesta época de chuvas em Angola, dezenas de turistas visitam semanalmente o Parque Nacional de Kissama, na província de Bengo, segundo o diretor da Fundação Valdemar Ferreira Pinto, que administra o patrimônio.

 

 

Na verdade, a época de chuvas tem uma vantagem: os turistas podem apreciar mais espécies animais que se encontram no parque, porque eles pastam todos os dias e não se escondem por causa do calor. "O Parque tem sempre acampamento de visitantes, porque o roteiro turístico é interessante e permite não só observar algumas espécies, como também as belíssimas paisagens naturais", disse Valdemar.

 

 

A caça ilegal é um problema citado por ele e que precisa ser combatido, pois ameaça a biodiversidade do parque. Valdemar Pinto informou que o Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF) e a Fundação Kissama realizarão no final de agosto um curso para fiscais florestais, a fim de aumentarem seus conhecimentos sobre biodiversidade e equilíbrio ecológico.

 

 

A Fundação Kissama é uma entidade não-governamental, apartidária, sem fins lucrativos, com personalidade jurídica e autonomia administrativa e financeira.

 

 

Depois de grandes investimentos do governo, o parque voltou a ter sua fauna original, por meio do projeto Arca de Noé, da Fundação Kissama, que traz animais da África do Sul e de Botswana para encontrarem em solo angolano seu hábitat natural.

 

 

Antílope - conhecido como Gunga

Contando com uma boa estrutura para o turismo, o parque vem atraindo pessoas em busca de safáris ecológicos, feitos por carros próprios para a atividade que podem ser alugados no local. Alojamentos e restaurantes também dão apoio aos que desejam visitar Kissama.

 

 

Vegetação típica - Imbondeiro

 

 

 

Lobito, uma aquarela que encanta os visitantes

Lobito é uma das cidades mais bonitas de Angola e de toda a costa africana. Situada no litoral, entre palmeiras, largas avenidas, chalés, palacetes, jardins, barcos e navios ancorados no seu porto, tem a aparência de uma aquarela azul, com ambiente cosmopolita e boêmio.

Fica a 740 km de Luanda e é a segunda cidade mais importante de Benguela, a província angolana onde há mais miscigenação no país, e por isso comparada ao Brasil. Sua população se divide entre negros, mulatos de vários tons e brancos.

A cidade estende-se por uma restinga de areia com mais de 3 km de comprimento na baía de águas tranqüilas e uma área de mangue habitada por milhares de flamingos.

 

 

Restinga de Lobito, um dos pontos turísticos mais visitados da cidade

Na época colonial era em Lobito que moravam os portugueses ricos, nas casas elegantes que ainda existem no Bairro de Restelo. Outros passavam ali as férias de verão. Nos folhetos turísticos da colônia nos anos 60 dizia-se que a cidade era "A Sala de Visitas de Angola."

Foi curiosa a criação de Lobito. Só no fim do século XVIII passou a ter este nome, porque até então o assentamento era conhecido, para se distinguir da vizinha Catumbela, por Catumbela da Água Salgada ou Catumbela das Ostras.

Em 1842 iniciou-se em Lobito a construção de um forte e do palácio do governo colonial. No ano seguinte, D. Maria II aprova o nascimento da cidade de Lobito, que tinha não mais que alguns barracões e uma plantação de coqueiros para consolidação da restinga de areia.

No final do século XIX, quando o comércio da borracha atingiu o apogeu, a baía de Lobito começou a atrair as atenções. O volume de mercadorias que saíam de Angola exigiu um ancoradouro maior que o de Benguela, a capital da província, a 34km de distância e que tinha capacidade somente para pequenas cargas.

No início do século XX (1902), com a construção da ferrovia Caminho de Ferro de Benguela, Lobito saiu do marasmo em que esteve mergulhada durante mais de 300 anos. A concessão da ferrovia foi entregue ao inglês Robert Williams e a cidade começou a crescer, lançando uma campanha para aterrar o pântano.

 

 

Câmara Municipal de Lobito

Em menos de 20 anos Lobito passou de uma baía abandonada coberta de mangue para uma cidade moderna, com terminal ferroviário e o principal porto do país. Foram construídos o mercado, a ponte na estrada Lobito-Benguela, o edifício dos Correios, o Hotel Términus (o melhor da província durante muitos anos), a capela da N. S. da Arrábida.

 

 

Acima, o porto de Lobito, o segundo maior de Angola e, Abaixo,

a capela Arrabida

 

O Boletim da Agência Geral das Colônias de 1925 afirmava que "Lobito é a mais bela cidade desta costa". E atribuía a qualificação a três fatores: "excelência do seu porto, terminal do Caminho de Ferro de Benguela, riqueza da ‘bacia econômica’, ou seja, o conjunto de vias de comunicação para o litoral passa por Lobito".

A essa altura a cidade era porta marítima de todo o vastíssimo planalto central de Angola, compreendendo as riquíssimas zonas de Huambo, Bié, Moxico. Era também o porto natural de uma grande parte da África Austral e o mais econômico para as comunicações entre as minas de cobre de Catanga (Congo Belga) e os portos da Europa.

No fim dos anos 40 abriram-se grandes avenidas na cidade, as praças receberam jardinagem e começou-se a desenhar os principais bairros, como a Restinga, o mais chique, exclusivamente residencial, com espaçosas moradias que dão para o Atlântico e para a baía.

Com 3km de extensão e em alguns pontos menos de 300 metros de largura, a Restinga é um autêntico jardim que se ergue do mar. Ali ficam o porto, a estação ferroviária, os Correios, o Hotel Términus e o Mercado Municipal.

Na virada da década de 50 Lobito tornou-se cosmopolita. Sofisticou o comércio cada vez mais intenso nas ruas em volta do Mercado Municipal. Surgiram novos hotéis e a atividade portuária conheceu um desenvolvimento sem precedentes. De Lobito saíam também milho, cimento, plástico, zinco, sisal, óleo e açúcar. Eduardo Fernando de Matos no livro Viagem por terras de África escreveu: "(...) Comparando este porto ao de Luanda, temos a impressão de que é Lobito e não Luanda a capital da colônia".

Com a Guerra da Secessão de Catanga no Congo Belga, o porto de Lobito ganhou ainda mais movimento. Nesta altura o total de minérios escoados rondava 500 mil toneladas por ano.

Era a cidade que registrava maior crescimento em Angola.

Entre seus pontos turísticos de maior interesse estão as praias, que revelam dois aspectos completamente distintos: águas mansas do lado da baía e águas batidas em toda a extensão do Oceano Atlântico. Outro lugar interessante é o Parque dos Bambus.

Além das belezas tropicais, a cidade tem um traçado moderno e arquitetura bem preservada nos edifícios públicos, como a ex-sede da Associação Comercial e onde agora está instalada a sede local do MPLA. E o Carnaval é um dos melhores de Angola, com célebres desfiles.

Para se ter uma vista panorâmica de Lobito e arredores, os melhores lugares são os mirantes de Quileva e do Forte de Catumbela.

Entre junho e meados de outubro a temperatura média é de 20ºC e daí em diante começa o calor que vai até maio. Os meses mais quentes são fevereiro, março e abril, com temperaturas médias de 27ºC.

 

País investe no turismo cultural

Uma nova vertente do turismo vem florescendo em Angola: a vertente cultural. Apostando nas diversificadas peculiaridades do país, as autoridades e os agentes do setor buscam o potencial turístico de museus, monumentos, festas populares, sítios históricos e naturais, carnaval e outras manifestações artísticas, como artesanato, literatura, teatro e música.

São fortes atrativos que podem ser melhor explorados. Além de contribuir para o aumento do PIB, é fonte de financiamento para a sua própria preservação, conservação e valorização, podendo ainda identificar melhor a imagem do país no mundo.

O assunto empolga tanto que pela primeira vez foi motivo de um seminário, promovido em Luanda pelos ministérios da Cultura, da Hotelaria e Turismo e do Urbanismo e Ambiente. Durante dois dias reuniram-se no Hotel Trópico empresários do ramo hoteleiro, turístico e cultural, representantes de agências de viagens, empresas de publicidade e marketing, técnicos e funcionários de museus, entidades artísticas, culturais e empresariais, representantes de fundações, historiadores, sociólogos e antropólogos, agitadores e produtores culturais.

As questões fundamentais do encontro foram a identificação do potencial turístico e cultural do país, a oferta cultural disponível e o turista, a valorização dos monumentos e sítios históricos, turismo e qualidade dos serviços.

Sobre a oferta cultural, há muito a oferecer aos turistas nativos e estrangeiros. Angola dispõe de imensas riquezas culturais e naturais: instituições como museus, bibliotecas e casas de cultura, um patrimônio diversificado, monumentos e sítios históricos, arquitetônicos e naturais, incluindo estações arqueológicas, e pinturas rupestres.

O ministro de Hotelaria e Turismo, Jorge Valentim, disse na abertura do seminário que o turismo cultural precisa ganhar uma nova dinâmica no país, beneficiando a economia e ao mesmo tempo ajudando a valorizar o patrimônio cultural, desde que seja aproveitado de forma racional. Um dos caminhos, segundo ele, é expandir a rede hoteleira.

O primeiro consenso dos participantes do seminário foi que as riquezas culturais não estão sendo suficientemente divulgadas, de modo a permitir uma exploração eficaz no ramo turístico. Por isso a prioridade imediata é criar mecanismos que tragam uma maior divulgação desse potencial, de modo que num futuro breve se efetive a conseqüente exploração turística.

Superados os problemas de insegurança que abalaram o país durante a guerra civil, paulatinamente começam a ser criadas as condições ideais para a realização de investimentos nos vários setores da infra-estrutura, especificamente estradas, pontes, construção de hotéis e pousadas, ao mesmo tempo que se vai estruturando e melhorando os serviços especializados de atendimento público das áreas artísticas e culturais, indispensáveis à definição e à manutenção dos roteiros turísticos.

O carnaval também já começou a se destacar no roteiro cultural e turístico angolano, porque vem crescendo o interesse de turistas nacionais e estrangeiros pelas características dos desfiles.

Outro tema foi sobre a viabilidade de projetos de impressão de selos, postais, cartazes, roteiros, monografias e outros materiais de divulgação e informação relativos a museus, monumentos, sítios históricos e naturais, estações arqueológicas e demais lugares que integram a memória cultural.

As estratégias a serem traçadas deverão se pautar pelo respeito escrupuloso ao meio ambiente, às identidades multiculturais, que protejam e valorizem o patrimônio nacional e contribuam para o desenvolvimento local, regional e nacional.

Representando o Ministério da Hotelaria e Turismo, Destino Alexandre alertou que o turismo cultural deve ser desenvolvido de forma controlada, sem ameaçar o meio ambiente natural e a vida social e cultural. Salientou que se deve ter em conta também o papel do setor público, a estabilidade política, a boa gestão do meio ambiente e a segurança como fatores fundamentais para atrair turistas.

O economista Antônio Fonseca, ao falar sobre a contribuição das comunidades, propôs a criação de um calendário de eventos culturais que possam ser motivo de interesse turístico. Este incentivo daria resultados, por diversas razões, segundo ele. "Uma delas é a acentuada necessidade que as pessoas sentem, sobretudo de países ricos, de conhecer destinos turísticos diferentes". Ele também chamou a atenção para um elemento-chave: educar a população para o turismo e a sua importância.

 

Também economista, Avelina Massamba ressaltou a preservação do ecossistema como princípio básico de qualquer exploração turística num país como Angola. Em sua palestra sobre ecoturismo ela disse que o turista ecológico, que prefere as belezas naturais, poderá exercer uma grande importância na campanha de educação ambiental, mas, advertiu, o desenvolvimento desse tipo de turismo deve passar por medidas de conservação da natureza, para a proteção da flora, da fauna, dos ecossistemas e qualquer sítio arqueológico e histórico. Avelina manifestou-se contra as visitas descontroladas de numerosos turistas em qualquer estação ou período do dia em áreas florestais, perturbando a fauna e afetando a sua reprodução.

Jomo Fortunato, professor de literatura, compositor (venceu o Festival de Canção de Luanda em setembro) e diretor do Instituto Nacional do Livro e do Disco ( INALD), na palestra sobre "As Indústrias culturais no desenvolvimento do turismo", defendeu maior cooperação entre as 18 províncias de Angola.

Segundo ele, o turismo pode ser a ponte para o conhecimento da moral, da filosofia, arte, psicologia social e da tradição angolana. "O patrimônio cultural do país é o elemento vital da identidade e uma fonte de criatividade que pode orientar a evolução e o conhecimento de Angola". O diretor do Inald disse ainda que o florescimento da indústria cultural passa pela integração de um conceito mais amplo de patrimônio, numa estratégia horizontal de turismo cultural.

A presidente da Associação das Agências de Viagens e Operadoras Turísticas de Angola, Ana Maria Grio, falando sobre "O papel das agências de viagem na divulgação da cultura nacional", conclamou os empresários para contribuírem na construção de uma cultura turística, oferecendo pacotes para em vários locais do país. "É importante mostrarmos todos os níveis de interesse cultural e de lazer".

 

 

Ministro Jorge Valentim

Ana Maria Grion defendeu igualmente a necessidade de uma regulamentação da indústria de turismo, na sua articulação com o meio ambiente, os transportes, a educação e a formação profissional, para que o turismo seja a síntese e não o resultado de outras políticas.

 

 

Ministro Boaventura Cardoso

O geógrafo José Cavula Muaquixe manifestou-se favorável à proteção e gestão das áreas com paisagens culturais, turísticas e florestais. Ao se preservar e gerir os sítios culturais, turísticos e florestais, a natureza e a economia do país desenvolvem-se em todos os níveis, contribuindo para a melhoria das condições de vida da população angolana, sem prejudicar o ambiente", afirmou.

José Cavula Muaquixe informou que, de acordo com estudos feitos pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal (IDF), em Angola existem 19 reservas e parques nacionais, além de 18 reservas florestais que na sua opinião estão abandonadas em conseqüência da guerra civil que o país enfrentou.

O artista plástico Álvaro Macieira propôs a criação de um banco de dados e de publicações periódicas com todas as informações sobre turismo em Angola.

Destacou a importância dos meios de comunicação na divulgação dos pontos turísticos e na educação ambiental. Segundo ele, a mídia pode encontrar a melhor maneira de transmitir idéias sobre o potencial turístico, os ícones da cultura nacional, além de informar acerca dos esforços governamentais e das instituições voltadas para a recuperação e resgate de valores culturais perdidos no espaço e no tempo.

"A produção artística e cultural, na sua forma mais ampla, a valorização das nossas festas locais, provinciais e nacionais, tais como o carnaval, os festivais de músicas, dança, teatro, o roteiro cultural que inclui os museus, os sítios históricos, lugares de memória e de interesse podem proporcionar-nos momentos ímpares de turismo e lazer", disse Álvaro.

 

 

O tema "Turismo Cultural de Memória" ensejou uma reflexão sobre a chamada rota dos escravos, tendo em conta o passado angolano e o significado histórico do tráfico de escravos no continente africano. O historiador Camilo Afonso disse que "a identificação, restauração, promoção e divulgação do patrimônio cultural sobre o tráfico negreiro e a escravatura em Angola, nas mais variadas dimensões,desse patrimônio cultural, visa a perpetuar para as gerações vindouras o legado do tráfico negreiro e sua abolição, além de significar a tomada de uma nova atitude positiva sobre um acontecimento que marcou a humanidade.

Ele ressaltou que o projeto "A Rota dos Escravos" liga a exigência ética de memória do tráfico de escravos e da escravatura às necessidades atuais de um diálogo inter-cultural e multidisciplinar. "É uma herança dinâmica, que nos possibilitará compreender muitas das questões do mundo, através da reflexão crítica dos acontecimentos."

 

 

No encerramento do seminário, o Ministro da Cultura, Boaventura Cardoso, lembrou da necessidade de eficiência profissional na gestão do turismo cultural em Angola. "Só com esta formação poderemos com urgência estudar as experiências dos outros países em desenvolvimento que obtiveram êxito em matéria de turismo cultural e utilizá-las na exploração do grande potencial da cultura angolana, do material ao imaterial". Boaventura Cardoso disse ainda que o turismo cultural será um suporte decisivo na geração de riquezas e emprego, particularmente para a juventude.

Uma das principais recomendações dos participantes do seminário foi a intensificação de intercâmbio cultural com vários países, com caravanas culturais e artísticas, exposições fotográficas, de artes plásticas e artesanato, livros e tradução de obras literárias de autores angolanos, para que sejam divulgados e conhecidos no exterior.

 

Deve-se também incluir nos roteiros turísticos informações sobre os museus, monumentos e sítios históricos, parques, centros e casas de cultura, bibliotecas e os principais eventos culturais nacionais.

 

Lubango braços abertos para o visitante


Uma das cidades com mais atrações turísticas em Angola é Lubango, capital da província de Huíla. A forte presença religiosa é sinalizada pelo seu monumento principal, o Cristo Rei, atualmente em reforma.

As obras incluem a remodelação completa do monumento, desgastado pelo tempo, pintura, recuperação do pedestal e dos degraus que dão acesso à estátua, plantação de grama na área, construção de um pequeno altar, iluminação e portões nos dois locais de acesso. O governo da província está investindo US$ 80 mil na recuperação dessas estruturas.

 

 

Cristo Rei, um dos pontos turísticos de Lubango. Abaixo, o Miradouro e uma de suas igrejas

A estátua fica num morro de 2.100 metros de altitude, do qual se avista toda a cidade e a região em volta. O monumento foi instalado nesse lugar em 1957, quando Lubango ainda se chamava Sá da Bandeira, no tempo colonial.

Mas o Cristo Rei é apenas um dos componentes do Complexo Turístico Nossa Senhora do Monte, que inclui ainda um Cassino, a Capela de Nossa Senhora do Monte – pequena, branca, no alto de uma escadaria e com área para missa campal – um grande parque com espaços de lazer, restaurantes, campo de futebol, hospedarias, animais e uma grande lagoa que fica lotada nos fins de semana.

 

 

Na saída da cidade há o Miradouro, onde as pessoas ficam passeando e contemplando a cidade lá embaixo. A região tem também a famosa Serra da Chela, onde fica a estrada de Leba, estreita e sinuosa, cheia de curvas.

 

 

A melhor época para se visitar Lubango é o mês de agosto, quando se realiza a tradicional festa em homenagem a Nossa Senhora do Monte, padroeira da cidade. Milhares de turistas e religiosos de todo o país vão para lá, de carro, de ônibus, caminhão. É um evento religioso e cultural, com shows musicais, provas esportivas, exposição de artesanato e muitas outras atrações.

A província de Huíla fica a sudoeste de Angola e tem 2 milhões de habitantes. É a segunda província mais populosa de Angola, depois de Luanda.

 

 

Mussulo

Empreendimentos turísticos associam natureza e conforto

À meia hora de Luanda, passando pelo palácio do governo, Futungo de Belas, chega-se à paradisíaca ilha chamada Mussulo, com sua areia dourada e águas tranqüilas. Não por acaso é conhecida como "pérola de Luanda", e o aproveitamento de seu potencial turístico tem sido alto.

 

 

Vários empreendimentos dotaram a ilha de uma completa infra-estrutura, com bangalôs, restaurantes, bares, para o turista passar fim de semana ou o tempo que desejar. Um desses empreendimentos é o complexo turístico Onjango, que além da estrutura básica oferece esportes aquáticos, pesca esportiva e outros serviços. A hospedaria consiste de 13 bangalôs equipados com ar-condicionado, geladeira, TV, mosquiteiros e chuveiros.

Gerido pelas Organizações Pelicano, o Onjango é o lugar ideal para se relaxar depois de uma frenética semana de negócios em Luanda. A pesca esportiva atrai pescadores de vários países, porque a baía que circunda a ilha é famosa por ser um portentoso viveiro de muitas espécies de peixe: pargo, garoupa, pescada são os mais comuns. As águas são calmas e favoráveis também aos esportes náuticos, embora às vezes haja correntes provocadas pelas marés. Outra diversão é observar os golfinhos e, de vez em quando, até baleias.

 Outro empreendimento turístico em Mussulo é o Zanga, num local com belezas naturais, conforto e segurança. As casas de 2 e 4 quartos são totalmente mobiliadas e equipadas, acompanhando serviço de bar e restaurante e muitas opções de lazer e esportes.

A ponta final de Mussulo tem a característica geral das restingas e modifica-se gradualmente, surgindo e desaparecendo a cada ano pontas e ilhotas de areia, movidas pelos fluxos das correntes.

Chega-se à ilha de Mussulo geralmente pelo mar. Há embarcações regulares, além de pescadores que oferecem aos turistas seus serviços de lancha a motor. É possível chegar lá também por via terrestre, pela restinga, mas somente quem já conhece o terreno.

 

 
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